rigidez
força demais para não cair,
bordas duras para seguir vivo,
desconhecer até onde pode ir,
sustentar excessos sem apoio,
fazer músculos para não tremer,
agregar à forma atrito e dureza.
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força demais para não cair,
bordas duras para seguir vivo,
desconhecer até onde pode ir,
sustentar excessos sem apoio,
fazer músculos para não tremer,
agregar à forma atrito e dureza.
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Dançar a passagem.
Um eu-corpo que se entende enquanto se move —
sem projeto, sem forma final.
O tempo dobra em sanfona,
o som estremece,
e a presença aprende a continuar.
Às vezes a tristeza não é falha interna,
é campo estreito.
Dançar reabre circulação,
devolve ritmo e borda ao corpo.
Quando há resposta,
o vivo volta a aparecer.
Continuar lendo Dançar
há corpos que entristecem
não por falta de força,
mas por falta de território.
há corpos que passam tempo demais debaixo da terra,
em silêncio, aprendendo a suportar peso, calor,
escassez de resposta.
não é fraqueza — é maturação invisível. Continuar lendo Circular
ler o corpo
já é um gesto
de quem não se ocupa em explicar
o tempo está ali
na maneira como o afeto circula
sem precisar de legenda Continuar lendo Frescor
Desacelerar
para afirmar diferenças,
posicionar interesses,
receber o volume do vivido
e sustentar a
intimidade
com o que pulsa sem roteiro. Continuar lendo Desacelerar – ou “o dezembro dos encontros”
Vivo intimidade
quando a natureza do outro
não me constrange.
Quando posso permanecer
sem ajustar o corpo para caber.
Quando minha respiração não pede desculpa.
Quando o gesto não precisa se corrigir
antes de acontecer.
Vivo intimidade.
O constrangimento cai quando o campo vira ambiente — duas naturezas coexistindo sem hierarquia, sem fusão. Continuar lendo Intimidade – parte II
Improvisar não é liberdade total. É confiar que o corpo, quando sustentado, sabe responder ao imprevisto sem se perder. Continuar lendo Improvisar
Amanheço cais, borda de maré, plataforma de chegadas e partidas. Um porto que não é muro: acolhe, afina, devolve ritmo. Caminho atento às imagens que o dia oferece — corpo que vê, borda que escuta, passo que aprende a respirar entre mundos. Continuar lendo Cais
o tempo acende no corpo; o intervalo respira fundo, amadurece formas, sustenta tensões, reorganiza bordas, acolhe durações silenciosas e abre passagem para que o vivido encontre, sem pressa, sua continuidade possível Continuar lendo Tempo
a vida que amadurece pela fenda Há dias em que o corpo não sustenta o mesmo contorno. Uma linha interna cede — não como tragédia, mas como o instante em que a vida procura outra borda para continuar. Há cortes que não são despedidas: são reinícios. São pequenas aberturas onde o mundo volta a entrar. Às vezes a ruptura é só isso: um gesto que … Continuar lendo Ruptura
doce de encontro
sal de cansaço
amargo do que não veio
gordo do excesso
morno do repetido
e às vezes
ácido —
Continuar lendo Acidez
A tensão é um início.
Um murmúrio do corpo antes da palavra.
Tudo pulsa.
O gesto ainda não tem forma — apenas direção.
A vida se inclina, pede passagem.
No entre do que prende e do que empurra, algo quer nascer.
A descarga não destrói, reabre.
O corpo devolve o excesso à terra e se refaz em ondas.
Respirar é o modo mais discreto de sabedoria.
Tenciono porque aconteço —
aconteço porque ainda respiro.
Continuar lendo Tensão e Descarga
Quando a forma chega ao fim, é o corpo que avisa — e cada passo encontra um modo novo de continuar. Continuar lendo End’s
Ensaio sobre o corpo que se regula no mundo pela respiração: impedimentos como arranjos biográficos de proteção, pássaros como arquitetura da continuidade e o gesto de inspirar como risco e chance de ampliar a vida por dentro — mesmo quando o limite aperta. Continuar lendo Respirar como corpo de passagem de ar
Um ensaio que nasce entre corpo, cidade e jardim. Inspirado pelo hormônio C₂H₄, o texto transforma o gesto de caminhar em clínica e o de cultivar em pensamento. A Casa Planta aparece como território vivo — rizomático, nômade e respirante — onde corpo, palavra e paisagem amadurecem juntos. Continuar lendo C₂H₄: corpos de amadurecimento
Entre casa e rede, a clínica se reinventa: afeto que circula, limites que sustentam, ruídos que tecem pertencimento. Uma arquitetura do comum feita de madeira, barro e mãos que se sujam. Continuar lendo Arquitetura do comum
Como uma sanfona, o encontro respira: abre janelas, encarna saberes, costura presenças. O uníssono aqui não é o mesmo — é plural que se improvisa, arrastão de pesquisa que transforma o acaso em elo, a dobra em síntese. No gesto de expandir e recolher, o grupo inventa modos de pertencimento, afinando suas redes pelo fôlego do comum. Continuar lendo Sanfona de nós e dobras
“Cinco exercícios, dois cachorros e uma coluna: entre espinhos, vísceras e ondulações, um relato sobre o corpo que aprende a esperar-se e a se mover com o mundo.” Continuar lendo Pinçar Coluna de Ouriço
Ela me escreve Ela me escreve com saudade da língua materna e de ouvir o sotaque da sua terra natal. Diz querer notícias do povo lá de casa — mas o que mais importa é poder conversar sobre o que lhe acontece no entre: entre lá e cá, entre os territórios. Traduz, em silêncio, o que escuta em diferentes línguas. Descreve com beleza os encaixes … Continuar lendo alfabetos nômades (ela)
Ninguém nasce humano, se torna um. Em nossos primeiros momentos de vida, aspectos como preferências pessoais e hábitos cotidianos não existem. Tais características, que modelam nossos corpos nas diferentes culturas, são assimiladas e anatomizadas ao longo de toda a nossa existência, este é um processo contínuo que nos confere uma natureza humana. Continuar lendo o humano em nós