Arquitetura do comum

Da casa à rede: modos de habitar o comum

Habitar é o gesto mais antigo da escuta. O corpo, ao tocar o chão, funda a casa invisível onde o comum se abriga. Andar a Pé

Dei o primeiro passo antes que o sol se afirmasse. O ar cheirava a terra úmida. Amanheceu em mim o desejo de construir uma casa — reunir elementos que sustentem uma casa para viver o próprio cotidiano, entender o próprio ciclo e, dentro dele, minha própria comunidade. Um tempo de começar de novo, como fazem os povos que constroem sem muros. Caminhar riscando no chão a ideia de uma casa que caiba em qualquer lugar.  Com arquitetura antigaa, feitas de gesto e de presença: como cabanas levantadas em roda, corpos que sabem que o abrigo não está nas paredes, mas na proximidade. Assim também se ergue o trabalho do psicólogo na clínica — um território de passagem, onde cada palavra fincada no chão abre espaço para o outro existir. Nada é sólido demais, e talvez seja nisso que reside sua força: permanecer leve, desmontável, como quem refaz o mundo com madeira, barro e mãos que se sujam.
— corpo que canaliza ambientes, absorve o mundo e o devolve transformado. Nesse corpo, tudo é relação: há fluxos que pedem bordas, afetos que se distribuem como vento, limites que se formam para sustentar o encontro. Na escuta, percebo em mim o desejo de uma morada que não dependa de doação, mas de vínculo: uma casa simbólica construída com presença e limite. Aprendo que o limite também é forma de cuidado — é o que impede o amor de virar caridade.

Afeto que circula como energia viva — às vezes em excesso, às vezes em falta. Não se trata de administrar emoções, mas de aprender seus modos de troca. 


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2 comentários sobre “Arquitetura do comum”

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