Cais
Amanheço cais,
borda de maré,
plataforma de chegadas e partidas.
Um porto que não é muro.
É pele que recebe, não repele.
É chão no mar, não é barco.
É presença que permanece. Continuar lendo Cais
Amanheço cais,
borda de maré,
plataforma de chegadas e partidas.
Um porto que não é muro.
É pele que recebe, não repele.
É chão no mar, não é barco.
É presença que permanece. Continuar lendo Cais
Colaborar é criar espaços onde processos vivos respiram próximos sem perder forma.
É acompanhar sem conduzir, sustentar sem ocupar.
Presença que oferece borda, ritmo e temperatura para que o outro encontre contorno próprio.
Na clínica e na vida, colaboração não é fusão, não é dívida; é um campo onde se experimenta elasticidade, onde gestos ganham passagem e onde a autonomia pode germinar sem pressa.
É o entre-corpo — zona onde ritmos se afinam e a vida encontra continuidade.
Continuar lendo Colaborar
o tempo acende no corpo; o intervalo respira fundo, amadurece formas, sustenta tensões, reorganiza bordas, acolhe durações silenciosas e abre passagem para que o vivido encontre, sem pressa, sua continuidade possível Continuar lendo Tempo
A tensão é um início.
Um murmúrio do corpo antes da palavra.
Tudo pulsa.
O gesto ainda não tem forma — apenas direção.
A vida se inclina, pede passagem.
No entre do que prende e do que empurra, algo quer nascer.
A descarga não destrói, reabre.
O corpo devolve o excesso à terra e se refaz em ondas.
Respirar é o modo mais discreto de sabedoria.
Tenciono porque aconteço —
aconteço porque ainda respiro.
Continuar lendo Tensão e Descarga
Confiar é quando o corpo encontra apoio para continuar,
mesmo quando o chão ainda se move e o passo só tateia.
O vínculo sustenta o vir-a-ser, e o gesto avança como vida compartilhada.
Sob o texto, o subsolo trabalha:
a clínica que me sustenta, a investigação viva,
ziguezagueando entre autores que caminham comigo. Continuar lendo Confiar
Quando a forma chega ao fim, é o corpo que avisa — e cada passo encontra um modo novo de continuar. Continuar lendo End’s
Entre casa e rede, a clínica se reinventa: afeto que circula, limites que sustentam, ruídos que tecem pertencimento. Uma arquitetura do comum feita de madeira, barro e mãos que se sujam. Continuar lendo Arquitetura do comum
Compostura é esse gesto silencioso em que o corpo aceita morrer um pouco para continuar vivo. No intervalo entre ruína e recomposição, algo se desfaz para adubar o que virá. O que fede também é vida: matéria voltando a agir por dentro.
Na depressão, o corpo entra num intervalo espesso: nada quer, mas ainda continua. É a suspensão em que o desejo perde temperatura e a forma se desfaz devagar. A compostura acompanha esse escuro — não explica, não apressa, só sustenta o gesto que tenta voltar a viver. Continuar lendo Composteira do fim das ilusões ou depressão
Desde uma simples tarefa da vida cotidiana há uma organização corporal envolvendo formas de pensar, de conhecer, de sentir, de perceber o mundo e agir nele. Continuar lendo vida diária