Despedir

A despedida é um rastro
que a mão ainda desenha
no que já não habita.

Ocupar o espaço
é o corte:
limpar o território,
subir o degrau,
sustentar o risco.

Não é falta,
é escolha.

Já não sou o que faço,
sou o que decido
permanecer.


A transição é o osso
que range antes do passo.

Onde era o peso do dente,
agora é o desenho da face.

Onde era a repetição,
agora é o gesto que escolhe.

O corpo sabe o que a alma já foi:
estrangeiro no próprio ofício,
arquiteto de um novo sim.

Bom estar aqui,
saio mais forte porque fui feliz aqui,
tenho que seguir.


O horizonte agora é curadoria:
o que fica, o que vai,
o que se transmuta.

Não é fuga da lida,
é refino do toque;
é trocar o volume da carga
pela nitidez da presença.

A rede avança
no ritmo da escrita,
no corte preciso da escolha
que desenha o território
onde, enfim, posso voar.



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