Tensão e Descarga

A tensão é um início.
Um murmúrio do corpo antes da palavra.
Tudo pulsa.
O gesto ainda não tem forma — apenas direção.

A vida se inclina, pede passagem.
No entre do que prende e do que empurra, algo quer nascer.
A descarga não destrói, reabre.
O corpo devolve o excesso à terra e se refaz em ondas.

Respirar é o modo mais discreto de sabedoria.
Tenciono porque aconteço —
aconteço porque ainda respiro.
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Composteira do fim das ilusões ou depressão

Compostura é esse gesto silencioso em que o corpo aceita morrer um pouco para continuar vivo. No intervalo entre ruína e recomposição, algo se desfaz para adubar o que virá. O que fede também é vida: matéria voltando a agir por dentro.
Na depressão, o corpo entra num intervalo espesso: nada quer, mas ainda continua. É a suspensão em que o desejo perde temperatura e a forma se desfaz devagar. A compostura acompanha esse escuro — não explica, não apressa, só sustenta o gesto que tenta voltar a viver. Continuar lendo Composteira do fim das ilusões ou depressão