Tensão e Descarga

A tensão é um início.
Um murmúrio do corpo antes da palavra.
Tudo pulsa.
O gesto ainda não tem forma — apenas direção.

A vida se inclina, pede passagem.
No entre do que prende e do que empurra, algo quer nascer.
A descarga não destrói, reabre.
O corpo devolve o excesso à terra e se refaz em ondas.

Respirar é o modo mais discreto de sabedoria.
Tenciono porque aconteço —
aconteço porque ainda respiro.
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Pele Crua de passagem, uma vigília Pagã

Três dias atravessam o corpo: celebrar dezenove anos de paternidade, despedir-se de um pai querido e sustentar o cuidado que continua. A casa onde um filho nasceu volta a ser lugar de encontro e de recomeço.
Entre o luto e a alegria, caminhar mantém o mundo em movimento dentro de nós. O texto acompanha esse percurso pela cidade, pelos vínculos e pelas memórias que insistem em viver.
Saúde é rio: seguir adiante é o que preserva o que importa. Continuar lendo Pele Crua de passagem, uma vigília Pagã

O corpo como leitura do mundo

Entre forma e desvio, o corpo se lê e se reescreve. Este texto propõe uma arqueologia do gesto: o psicólogo como pesquisador do comportamento enquanto trama biológica, social e simbólica; o analista corporal como leitor da anatomia viva; e a clínica como espaço de desvio — um klinâmen onde o corpo reencontra sua própria invenção. Inspirado em Regina Favre, Suely Rolnik e Epicuro, o ensaio habita o território vivo da escuta, onde pensar é acompanhar o movimento mínimo que faz nascer o novo. Continuar lendo O corpo como leitura do mundo

Composteira do fim das ilusões ou depressão

Compostura é esse gesto silencioso em que o corpo aceita morrer um pouco para continuar vivo. No intervalo entre ruína e recomposição, algo se desfaz para adubar o que virá. O que fede também é vida: matéria voltando a agir por dentro.
Na depressão, o corpo entra num intervalo espesso: nada quer, mas ainda continua. É a suspensão em que o desejo perde temperatura e a forma se desfaz devagar. A compostura acompanha esse escuro — não explica, não apressa, só sustenta o gesto que tenta voltar a viver. Continuar lendo Composteira do fim das ilusões ou depressão

Flotilha de desejos

ensaios clínicos sobre o que pulsa quando a palavra não basta “Entre o silêncio e o sentido, há o gesto que fala.” — Sándor Ferenczi Avancei voltando a escrever neste formato de blog, desejando que as notas diárias de uma semana de escuta clínica e pesquisa encontrem quem também foi ousado: quem publicou seus ensaios, seus erros e acertos de trabalho; quem se arriscou a … Continuar lendo Flotilha de desejos