AUTONOMIA
Quando escuto com atenção, percebo que a autonomia não nasce contra a dependência. Nasce a partir dela. Continuar lendo AUTONOMIA
Quando escuto com atenção, percebo que a autonomia não nasce contra a dependência. Nasce a partir dela. Continuar lendo AUTONOMIA
a garganta no meio
do tempo,
faz do ar um corredor estreito,
som pedindo passagem em silêncio. Continuar lendo DESENGASGAR
força demais para não cair,
bordas duras para seguir vivo,
desconhecer até onde pode ir,
sustentar excessos sem apoio,
fazer músculos para não tremer,
agregar à forma atrito e dureza.
Continuar lendo RIGIDEZ
ler o corpo
já é um gesto
de quem não se ocupa em explicar
o tempo está ali
na maneira como o afeto circula
sem precisar de legenda Continuar lendo Frescor
Vivo intimidade
quando a natureza do outro
não me constrange.
Quando posso permanecer
sem ajustar o corpo para caber.
Quando minha respiração não pede desculpa.
Quando o gesto não precisa se corrigir
antes de acontecer.
Vivo intimidade.
O constrangimento cai quando o campo vira ambiente — duas naturezas coexistindo sem hierarquia, sem fusão. Continuar lendo Intimidade – parte II
Improvisar não é liberdade total. É confiar que o corpo, quando sustentado, sabe responder ao imprevisto sem se perder. Continuar lendo Improvisar
Quando o comportamento dis-tensiona
E o ritmo desfaz bordas firmes
A forma cede o suficiente
Outra condição possa nascer
Transição é esse entremeio
Onde nada termina e tudo se dobra. Continuar lendo Transição
Pés tocam o piso como quem testa a temperatura do instante.
Nada exige velocidade.
A vida se espalha lenta, como cor que encontra papel. Entre tremor e apoio, o gesto aprende a durar. Ficar sem endurecer: borda que respira. Permanecer é acompanhar o ponto onde a forma treme sem cair. A clínica sustenta esse limiar — elasticidade, contorno e ritmo — até que o corpo reencontre continuidade.” Continuar lendo Permanecer
Deixar ir é reforçar o barco, não culpar o mar
Deixar ir é ouvir o vento: o barco inclina, a mão se solta, o gesto desliza.
Papéis finos mudam de direção, o corpo acompanha.
Cada desvio é método, cada curva é fôlego — onde a mão afrouxa, algo encontra passagem.
Deixar ir é reconhecer quando a forma pode seguir sozinha.
O cuidado afrouxa sem abandonar: sustenta até o ponto em que o corpo reencontra eixo e ritmo.
O vínculo se transforma em passagem — firmeza que autoriza continuidade.” Continuar lendo Deixar
O corpo lê o ar antes da mente. Cada atmosfera atravessa o gesto, dobra a respiração e inaugura caminhos invisíveis. Este texto acompanha como o corpo sente o mundo antes de entendê-lo — e encontra, no clima dos encontros, um modo habitável de existir. Continuar lendo O corpo que lê o ar
o tempo acende no corpo; o intervalo respira fundo, amadurece formas, sustenta tensões, reorganiza bordas, acolhe durações silenciosas e abre passagem para que o vivido encontre, sem pressa, sua continuidade possível Continuar lendo Tempo
Ensaio sobre o corpo que se regula no mundo pela respiração: impedimentos como arranjos biográficos de proteção, pássaros como arquitetura da continuidade e o gesto de inspirar como risco e chance de ampliar a vida por dentro — mesmo quando o limite aperta. Continuar lendo Respirar como corpo de passagem de ar