o que faço com isso tudo?
Tenho escutado essa pergunta atravessada de medo.
O que faço com isso tudo?
Isso tudo não é um assunto. É um clima. Notícias, conversas, alertas, ameaças difusas. A sensação de que algo importante pode se perder. A impressão de que o chão não está garantido.
Escrevo sem resposta. Escrevo porque a pergunta insiste e porque ela também me atravessa enquanto escuto.
Percebo que, quando essa pergunta entra no consultório, algo muda no ritmo. A fala acelera ou trava. A escuta fica mais porosa.
Há dias em que sustentar a pergunta já é trabalho suficiente. Não empurrá-la para uma solução. Não transformá-la em tarefa. Não convertê-la em explicação.
Talvez o que esteja em jogo não seja o que fazer com isso tudo, mas como permanecer em contato com o que nos afeta sem endurecer, sem colapsar, sem desaparecer de nós mesmos.
Anoto isso aqui como quem marca um ponto no caminho. Não para orientar. Para lembrar onde estou passando.
O resto ainda caminha.
Descubra mais sobre correspondente•PSi
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.