… continuidades mínimas

quando encontramos respiro

Não é preciso decidir sempre no agora.
Há instantes em que o mais vivo
é apenas permanecer
num ponto
sem se apertar apertado.

as perguntas ainda ecoam,
até que silêncio não exija.

O pulso se reorganiza em escalas mínimas.
Um dentro que aprende
a não vazar.

Testar novas bordas
Permitir que a forma
se refaça.

Existe um intervalo
que amadurece
sem barulho.

Uma lentidão fértil.
Uma respiração que
não precisa explicação.
Se manter no presente vivo


o mundo não precisa caber —
basta não desabar.


HIPERLINKS

Quando escrevo permanecer, eu não estou apontando uma virtude: estou lembrando que ficar um pouco é um modo de sustentar o vivo sem se apertar.

Quando aparece pausa, como uma ação sobre si: ela vem como chão temporário — o instante em que o corpo mede bordas novas antes de chamar isso de decisão.

E quando a palavra borda atravessa a frase, ela entra só para lembrar que limite pode ser contorno respirável, e não muro.

Em algum lugar, bem por dentro, há também o tempo químico do amadurecer — essa lentidão que não faz anúncio. Ele aparece como clima em C₂H₄, sem precisar ser citado como teoria: apenas como modo de dizer que a vida trabalha no invisível.

Há continuidades que são som: áudios de caminhada, notas de voz, um trailer que encosta no peito e reorganiza a atenção. Quando um filme entra, não é referência — é companhia. E às vezes basta um título para acender intervalo: Drive My Car, Nomadland.


Post nó.
dobra numa rede de textos
respiram o mesmo clima:
a vida que continua*
por aumento de conectividade


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