circular — campo, presença e alegria como efeito do vivo
há corpos que entristecem
não por falta de força,
mas por falta de território.
“Quando o campo reabre, o corpo volta a aparecer — e isso já é tratamento.”
Correspondente PSI
há corpos que passam tempo demais debaixo da terra,
em silêncio, aprendendo a suportar peso, calor,
escassez de resposta.
não é fraqueza — é maturação invisível.
quando o campo social se estreita,
o vivo perde circulação.
na dança, o corpo volta a aparecer —
não como desempenho,
mas como presença que encontra resposta.
a alegria aqui não é emoção:
é efeito de campo aberto.
dançar amplia território,
pertencimento,
criação de si.
quando o corpo encontra território
onde pode circular,
a autoestima não precisa ser construída —
ela emerge como canto.
a tristeza aparece
quando o campo encolhe,
não quando o corpo falha.
a cigarra da foto não canta
para ser vista.
canta porque o tempo do seu corpo
se abriu.
estrato clínico — circulação como condição de vitalidade
Estados depressivos nem sempre indicam falha interna do organismo.
Muitas vezes sinalizam empobrecimento do campo relacional: quando o corpo perde territórios onde pode circular, ser visto e responder ao outro, a vitalidade se contrai.
Nesse sentido — afinado com a linhagem da biossubjetividade trabalhada por Regina Favre — tristeza e retração não são defeitos do indivíduo, mas sinais de campo estreito: redução das condições de encontro, apoio e ressonância.
A dança, aqui, não é técnica nem performance.
É dispositivo de reabertura de campo: devolver circulação, presença e pertencimento ao corpo.
A autoestima, nesse registro, não é construída como ideal:
ela emerge quando há território onde o corpo pode acontecer.
A clínica acompanha a relação entre corpo e território —
não para corrigir o indivíduo,
mas para reabrir campo.
Esse mesmo princípio se estende ao Território Vivo do Correspondente PSI:
caminhadas, oficinas, cinecorpos e correspondências funcionam como pátios de circulação do trabalho.
🎬 filme-companheiro
Assista o trailer de
Primavera, Verão, Outono, Inverno… e Primavera (Kim Ki-duk):
um ciclo que não explica — atravessa.
Legenda sensorial: o olho aprende a esperar; o corpo aprende a mudar sem anúncio.
Se o vídeo não carregar aqui, abra direto no YouTube:
assistir agora.
🎵 música-companheira
Ouça Hermeto Pascoal — “Bebê”.
Som que não decora o mundo: reabre circulação.
Legenda sensorial: um sopro vira caminho; o ritmo encontra casa dentro do peito.
Se o áudio não tocar aqui, abra direto no YouTube:
ouvir agora.
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3 comentários sobre “Circular”