improvisar — responder sem saber antes
“Improvisar não é inventar do nada, é confiar no que já está vivo.”
Correspondente PSI
Improvisar não é fazer qualquer coisa.
É responder
quando o plano já não serve.
O corpo percebe antes.
Algo muda no campo.
Um atraso mínimo.
Um excesso.
Uma ausência.
Improvisar começa aí:
no instante em que a forma conhecida
não dá mais conta
do que está acontecendo.
Não é liberdade total.
É atenção radical.
O gesto não nasce do querer,
mas do encontro.
O corpo escuta o que chega,
mede o que sustenta,
e responde —
sem garantia.
Improvisar exige suporte.
Sem ele, vira colapso.
Exige território.
Exige escuta.
Exige continuidade.
Por isso, nem todo corpo pode improvisar a qualquer momento.
Às vezes, o mais vivo
é permanecer.
Quando o campo sustenta,
o improviso aparece
como variação possível,
não como ruptura.
O gesto chama outro gesto.
O corpo se segue.
Algo se reorganiza
enquanto acontece.
Improvisar é aceitar
que a forma se descubra
durante o movimento.
Não saber antes.
Saber fazendo.
Improvisar é isso:
uma inteligência que confia
no que já foi sustentado.
estrato clínico — improvisação como efeito de continuidade
Na clínica, improvisar não é incentivar espontaneidade irrestrita. É reconhecer quando o corpo já dispõe de suporte suficiente para responder ao imprevisto sem se desorganizar.
Estados de rigidez extrema e estados de dispersão têm algo em comum: ambos impedem o improviso. Um por excesso de controle; outro por falta de sustentação.
Quando há território, escuta e permanência, o improviso surge como ajuste fino — uma resposta nova que não rompe com a história do corpo, mas a prolonga.
Stanley Keleman nos lembra que a forma amadurece quando aguenta vibrar sem se desfazer. O improviso nasce desse tempo sustentado — não do colapso, mas da duração.
Stanley Keleman descreve esse ponto com precisão: a forma só se transforma quando consegue sustentar sua própria vibração tempo suficiente para outra organização emergir.
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4 comentários sobre “Improvisar”