Intimidade

Intimidade como corpo que aproxima: pele que lembra, cheiro que convoca, paladar que partilha, som que afina. Um território vivo entre mundos que não se fundem — apenas respiram lado a lado. Escuta sensorial, vínculo-clima, clínica que caminha sem machado e guarda o fogo.

Dica sensorial — Piripkura (2017), dir. Mariana Oliva, Renata Terra e Bruno Jorge:
Um filme que escuta floresta como quem escuta pele — quase silêncio, quase sopro — homens que carregam mundos na respiração. Vê-se o passo, não o discurso. Vê-se o vínculo, não a tese. Assistir é entrar devagar, como quem pede licença ao território vivo que ainda pulsa. Continuar lendo Intimidade

Colaborar

Colaborar é criar espaços onde processos vivos respiram próximos sem perder forma.
É acompanhar sem conduzir, sustentar sem ocupar.
Presença que oferece borda, ritmo e temperatura para que o outro encontre contorno próprio.
Na clínica e na vida, colaboração não é fusão, não é dívida; é um campo onde se experimenta elasticidade, onde gestos ganham passagem e onde a autonomia pode germinar sem pressa.
É o entre-corpo — zona onde ritmos se afinam e a vida encontra continuidade.
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Tensão e Descarga

A tensão é um início.
Um murmúrio do corpo antes da palavra.
Tudo pulsa.
O gesto ainda não tem forma — apenas direção.

A vida se inclina, pede passagem.
No entre do que prende e do que empurra, algo quer nascer.
A descarga não destrói, reabre.
O corpo devolve o excesso à terra e se refaz em ondas.

Respirar é o modo mais discreto de sabedoria.
Tenciono porque aconteço —
aconteço porque ainda respiro.
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