desvios — a clínica que evolui por meio das torções
Este espaço reúne textos e reflexões que não seguem uma rota previsível. Funcionam como pequenos desvios no percurso principal: movimentos laterais, perguntas que surgem no meio do caminho, anotações que abrem outro ângulo de olhar. São materiais que deslocam, tensionam e às vezes inauguram novos eixos dentro da minha prática clínica e da escrita.
Os desvios não formam uma série fechada. Eles aparecem quando algo escapa ao planejamento e exige atenção — uma imagem que insiste, uma situação clínica que reorganiza um conceito, um pensamento que precisa de corpo antes de ganhar forma. Registrar esses desvios é parte do método: acompanhar o que o trabalho produz quando sai da trilha esperada.
Alguns desses textos se aproximam de temas maiores, como corpo–tempo, intervalos, contornos, cidade, correspondência. Outros apenas indicam um deslocamento inicial, ainda sem nome. Este lugar existe justamente para que esses primeiros movimentos tenham onde pousar.
Penso os desvios como um laboratório de observação. Aqui ficam as notas que apontam tendências, os ensaios de conceitos que talvez venham a se tornar séries, e os fragmentos que sinalizam mudanças na minha cartografia clínica. Em vez de antecipar conclusões, acompanho o que emerge.
Assim, a página de Desvios funciona como registro de forças em maturação. Às vezes um desvio se torna um eixo; outras, apenas ilumina o percurso e desaparece. O valor está no processo — na capacidade de perceber o que desloca e deixar esse movimento ensinar alguma coisa.
Este espaço permanece aberto. Sempre que um pensamento sair do caminho principal e pedir voz, ele será depositado aqui — como forma de acompanhar a vida própria do percurso.
como navegar por estes desvios
Os textos ligados a esta página podem aparecer em diferentes séries, trilhas e estratos clínicos. O que os aproxima não é o tema, mas o gesto: todos marcam momentos em que algo saiu da rota e, ao desviar, revelou um pedaço novo do método.
- desvios de forma — quando uma postura, um jeito de respirar ou um modo de presença se altera de maneira inesperada;
- desvios de percurso — mudanças de rota na clínica, na cidade, na Casa Planta, na caminhada;
- desvios de conceito — quando uma noção teórica precisa ser torcida para acompanhar o que o corpo mostra;
- desvios de linguagem — textos que testam outro modo de contar, nomear ou escutar.
Ler esta página é aceitar que o método também se faz pelos flancos: nem sempre pelo eixo central, muitas vezes pelas bordas que cedem primeiro. Os desvios mostram onde o trabalho ainda está em movimento — e é justamente aí que ele permanece vivo.