Casa Planta

onde o amadurecimento encontra casa

Casa Planta nasce do desejo de cartografar potências de uma rede de afetos. É um espaço em que corpo, casa, família, cidade e clínica se misturam como galhos de uma mesma árvore. Aqui, amadurecer não é um ideal abstrato: é o tempo concreto que o corpo leva para suportar o que antes era duro demais.

A imagem de referência é o hormônio C₂H₄ (etileno), que faz frutos verdes cederem até alcançarem outra forma de doçura. Na Casa Planta, esse processo químico vira ética clínica: não apressar o tempo do outro, não forçar colheitas, permitir que certas durezas apodreçam o suficiente para nutrir um gesto novo.

Este espaço funciona como um diário de imagens vivas: cenas da vida cotidiana, momentos de cuidado, pequenas invenções domésticas, plantas reais e metafóricas, tudo aquilo que mostra o amadurecimento como trabalho silencioso. É também um modo de fazer cinema da vida que se tem — acompanhar o crescimento como se filma o desabrochar de uma flor.

A Casa Planta acolhe textos, fotos, memórias e reflexões em que o cuidar aparece como jardinagem clínica: preparar o solo, observar o clima, aceitar as estações, confiar na inteligência própria de cada organismo. Nem tudo floresce ao mesmo tempo; nem tudo precisa florescer.

Ao reunir esses materiais, vou compondo um campo onde a clínica e a vida doméstica se tocam: paternidade, amizade, parceria, vizinhança, espaços de estudo e descanso. A Casa Planta é o lugar onde essas relações ganham contorno, sem se separar do corpo que as sustenta.