mapa vivo do correspondente•PSI
Esta cartografia organiza, em doze palavras-vértebra, o percurso em andamento do correspondente•PSI. Não é um sistema fechado, mas um mapa vivo: acompanha o que a clínica e a escrita deslocam no tempo. Cada vértebra nomeia um eixo de trabalho — corpo, território, ritmo, passagem, intervalo, forma, clínica, escuta, acontecimento, continuidade, amadurecimento, desvio — e serve como apoio para localizar textos, fases e enlaces entre posts.
O olhar aqui é de naturalista: descrição paciente do que se repete, do que muda e do que se torna relevante na prática clínica. Os posts funcionam como amostras de campo; a cartografia, como superfície para entender estas recorrências. O mapa será refeito sempre que novas ligações surgirem.
como navegar neste mapa
Cada palavra-vértebra abaixo pode ser lida como uma pequena entrada de glossário clínico. Elas ajudam a:
- reconhecer temas recorrentes nos textos e projetos;
- acompanhar mudanças de ênfase na prática clínica;
- organizar links, tags e categorias em torno de eixos conceituais;
- perceber como o corpo, o tempo e o território aparecem na escrita.
À medida que novos posts forem publicados, esta cartografia poderá receber ligações internas — trilhas entre textos, séries e estratos clínicos. O mapa permanece aberto para acompanhar o amadurecimento do trabalho.
1. corpo
O corpo é o primeiro território de leitura. Antes da palavra, já há tensões, ritmos, pausas, pressões e descargas organizando a existência. O corpo funciona como ambiente-processador: absorve o mundo, metaboliza forças e devolve gesto. Nesta cartografia, “corpo” nomeia a base de todo o trabalho clínico — lugar onde a experiência se inscreve e se torna observável.
ver também:
- O corpo como leitura do mundo
- Pinçar Coluna de Ouriço
- Respirar como corpo de passagem de ar
- Tensão e Descarga
- Acidez
2. território
Território é o chão simbólico onde o corpo se sustenta. Pode ser casa, vínculo, cidade, paisagem interna ou um intervalo respirado. Territórios se expandem, retraem, protegem, colapsam. São zonas vivas em que o corpo encontra apoio para continuar. Aqui, “território” ajuda a localizar os textos que pensam casa, cidade, consultório, redes e modos de habitar o comum.
ver também:
- Ficar em casa
- Cidadã do mundo
- Arquitetura do comum
- C₂H₄: corpos de amadurecimento
- Pele Crua de passagem, uma vigília pagã
3. ritmo
Ritmo é a inteligência que regula intensidade. Expansões e contrações desenham o modo como o corpo se articula no tempo. O eixo do ritmo abarca tensão–descarga, pausas, retomadas, acelerações e lentidões. A partir dele, a clínica observa o que inicia, o que desorganiza e o que pede espera, sem separar teoria de respiração.
ver também:
- Pausa
- Tempo
- Respirar como corpo de passagem de ar
- Sanfona de nós e dobras
- Pinçar Coluna de Ouriço
4. passagem
Passagem é o estado entre formas: nem antes, nem depois. É o entre em que o gesto ainda procura contorno. Trata-se de um território de risco e de reorganização, onde o corpo negocia novas maneiras de existir. Nesta cartografia, “passagem” marca textos e experiências em que o viver se refaz em trânsito — mudanças, lutos, deslocamentos, recomeços.
ver também:
- Pele Crua de passagem, uma vigília pagã
- End’s
- Flotilha de desejos
- Composteira do fim das ilusões ou depressão
- Respirar como corpo de passagem de ar
5. intervalo
Intervalo é a dobra do tempo que permite respirar. É o instante em que o movimento hesita e o pensamento ganha corpo. Na clínica peripatética, o intervalo é também laboratório: espaço sensível em que silêncio, ruído, micropercepções e hesitações se tornam matéria de leitura. Este eixo reúne textos em que a pausa orienta o caminho.
ver também:
- Topografia do Intervalo
- Pausa
- Tempo
- End’s
- Lavar as mãos e a roupa suja!
6. forma
Forma é a solução corporal construída para continuar vivo. Tensões, densidades, rigidezes e porosidades são maneiras de garantir continuidade diante das pressões do ambiente. As formas podem ser elásticas ou endurecidas, protetoras ou restritivas. A cartografia usa “forma” para mapear os textos que se dedicam a observar anatomias vivas — padrões de presença, modos de postura, maneiras de organizar o próprio volume no mundo.
Neste entendimento, “forma” se aproxima da chave de Gilbert Simondon: nenhuma forma é substância pronta, mas efeito provisório de processos de individuação em meio associado. As formas clínicas que acompanho — modos de respirar, sustentar, enrijecer, ceder — são sempre processos, nunca estados finais.
ver também:
- Vestido para trocas
- O corpo como leitura do mundo
- Tensão e Descarga
- Acidez
- Pinçar Coluna de Ouriço
7. clínica
Clínica é o campo de relação entre corpo, ambiente e vínculo. Não é apenas um método, mas um gesto de acompanhar ritmos, bordas, descargas e intensidades ao longo do tempo. Aqui, a clínica se desloca: caminha pela cidade, entra na casa das pessoas, atravessa telas, volta ao consultório físico. Este eixo abriga textos que explicitam o ofício — modos de trabalho, estratos clínicos, acordos de presença.
ver também:
- Composteira do fim das ilusões ou depressão
- Flotilha de desejos
- Tensão e Descarga
- End’s
- C₂H₄: corpos de amadurecimento
- Arquitetura do comum
8. escuta
Escutar é sustentar porosidade. Envolve sounds, vozes, ruídos urbanos, silêncios, respirações, microgestos musculares e tudo o que chega antes da frase pronta. Na clínica orientada pelo corpo, a escuta é muscular e ambiental: o analista se oferece como superfície sensível para que o outro encontre borda. Este eixo reúne textos em que ouvir se torna trabalho central.
ver também:
- Um jornalista interessado na vida das pessoas
- À flor da pele
- alfabetos nômades (ela)
- O Que Conduz
- Pele Crua de passagem, uma vigília pagã
- Topografia do Intervalo
9. acontecimento
Acontecimento é mudança de estado: quando corpo e mundo se encontram e algo se desloca. Pode ser mínimo — um suspiro, um tropeço, uma frase interrompida. Pode ser maior — uma ruptura, um fim, um gesto político. Em qualquer escala, o acontecimento reorganiza a forma e abre continuação. Aqui, essa vértebra aponta para textos que registram essas viradas discretas ou densas.
ver também:
- Pele Crua de passagem, uma vigília pagã
- Flotilha de desejos
- Pinçar Coluna de Ouriço
- Cidadã do mundo
- Vestido para trocas
10. continuidade
Continuidade é a capacidade de não colapsar enquanto se transforma. É o fio interno que permite atravessar fins, pausas e recomeços sem perder completamente o próprio contorno. Este eixo destaca textos em que o “seguir” não é mero hábito, mas trabalho clínico: reorganizar bordas, ritmos e intensidades para sustentar vida onde antes havia apenas exaustão ou ruptura.
ver também:
- Composteira do fim das ilusões ou depressão
- C₂H₄: corpos de amadurecimento
- Arquitetura do comum
- Tensão e Descarga
- Tempo
11. amadurecimento
Amadurecer é transformar-se em outro grau de suporte. Como o etileno que faz o fruto ceder, há um tempo interno que torna o corpo capaz de suportar o que antes era duro demais. Este eixo reúne reflexões sobre ciclos de crescimento, compostura, regeneração e prazos da clínica — quando algo precisa apodrecer um pouco para poder nutrir outro gesto.
ver também:
- C₂H₄: corpos de amadurecimento
- Composteira do fim das ilusões ou depressão
- Ruptura
- Acidez
- Pinçar Coluna de Ouriço
12. desvio
Desvio é a inteligência mínima que impede a repetição absoluta. É o clinâmen que permite ao corpo torcer um pouco a rota, inventar outra resposta, transformar tropeço em orientação. Este eixo aproxima textos em que tropeços, acasos, erros e mudanças de rota aparecem como material clínico, não como falha: lugares onde a vida ensaia outras formas de se conduzir.
ver também:
- Nossos modos nômades
- Topografia do Intervalo
- Lavar as mãos e a roupa suja!
- Sanfona de nós e dobras
- O Que Conduz