Vivian Lee — dançar é pertencer
Vivian Lee nasceu em Nova York, filha de uma panamenha e de um australiano. Cresceu entre os Estados Unidos e a África, mas foi no Brasil — passando pelo Rio de Janeiro — que entendeu onde seria o seu lar.
Desde a infância, o dançar mostrou-se como uma linguagem universal. O que parecia uma brincadeira ingênua, dentro de casa, com a mãe e os amigos, tornou-se o impulso que a faria ir além de suas origens latinas e nova-iorquinas.
Leitura do corpo
pés descalços que aprendem direções,
mãos que traduzem sons em ar,
quadris que respondem antes do pensamento,
um corpo que fala em todas as línguas.
Transformou-se em cidadã do mundo, problematizando a opressão da branquitude e a força dos povos originários. Nesta conversa, descreve os corpos mestiços como capazes de se adaptar e criar ambiente nos mais diversos territórios. Mas é com as culturas dos povos originários que, segundo ela, se aprende a inteligência necessária para viver bem com a natureza.
Vivian se descreve como uma camaleoa, sem abrir mão de suas crenças. O que a interessa pode existir em qualquer parte do planeta — contanto que saiba preservá-lo. Seu senso de organização e capricho lhe permitiram grandes voos e acesso a muitas experiências — e, junto disso, uma crítica ao desperdício: as roupas que não nos cabem mais, materiais e simbólicas.
Leitura do corpo
coluna que se ergue ao som do tambor,
olhos que escutam o movimento do outro,
respiração que acompanha a maré,
pele que reconhece o território e agradece.
Encontrar Vivian é encontrar elegância e franqueza numa mesma conversa. Misturar e separar quando necessário. A força da dança em seu corpo é uma atitude política nesta pequena comunidade de Santo André (BA). Cuida e é cuidada por outras mulheres — e, assim, torna-se agente de bem-estar social e moradora comprometida com o lugar.
Acolhe todos que se hospedam em sua casa confortável — mas principalmente as novas gerações que crescem diante dela. Sabe plantar florestas e colher futuros. Pessoa pra se conhecer. Segue aqui um fragmento de nossa conversa.
Correspondente PSI — conversas sobre o corpo, o cotidiano e o cuidar de si.
Devagar, com presença.